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sábado, 15 de março de 2008

Odontologia _ DETERMINANTES SOCIAIS, CULTURAIS E EDUCACIONAIS SOBRE UMA FORMA DE DIETA ENTRE ESCOLARES DE 10 ANOS DE IDADE _ Parte II Odontopediatria

DETERMINANTES SOCIAIS, CULTURAIS E EDUCACIONAIS SOBRE UMA FORMA DE DIETA ENTRE ESCOLARES DE 10 ANOS DE IDADE

Parte 2 - Dieta e Cárie

Autores:
Márcio Oliveira Lara
Cleuma Helena de Araújo

Apresentador:
Márcio Oliveira Lara

Sumário

Artigo científico

Resumo
Unitermos
Aspectos gerais
Relação da freqüência do consumo de alimentos açucarados entre as refeições e
o aumento da incidência da cárie
Considerações gerais sobre cárie dentária
Conceitos históricos e epidemiológicos
Atitudes e comportamento dos indivíduos em relação ao açúcar
Aspectos sociais, culturais e educacionais
A saúde dentária interligada aos fatores dietéticos e nutricionais
Referências bibliográficas

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Resumo

Na segunda parte deste trabalho faz-se uma correlação entre dieta e cárie em seus aspectos gerais. Também se enfoca as atitudes e comportamento dos indivíduos em relação ao açúcar bem como os aspectos sociais, culturais e educacionais que são determinantes para a incidência da cárie dentária.

Unitermos

Cárie dentária; Dieta; Hábitos alimentares; Fatores sócio-econômicos e culturais.
KEYWORDS: Dental carie; Diet; Alimentary habits; Socioeconomic and cultural factors.

Aspectos gerais

Entende-se por dieta a ingestão rotineira de alimentos e bebidas, realizada por qualquer pessoa diariamente e nutrição a assimilação dos alimentos e seu efeito sobre os processos metabólicos do organismo.

Estudos recentes confirmam que a má nutrição calórico-protéica crônica e aguda durante a infância aumenta a suscetibilidade à cárie dentária.

Os nutrientes dividem-se em três grupos principais caracterizados por sua função : energéticos, lipídeos e carboidratos.

Os lipídeos contribuem para a proteção dos órgãos vitais contra a ação mecânica e contra a perda de calor. As gorduras podem diminuir a atividade de cárie pela modificação da superfície do esmalte, formando uma película protetora, limitando o acúmulo de placa bacteriana ou se interpondo entre as superfícies dos dentes e os ácidos da placa bacteriana. Os óleos vegetais insaturados são as principais fontes de lipídeos.

Os carboidratos servem como fonte de energia para as funções químicas do organismo e também para a síntese de vários aminoácidos e ácidos graxos. Eles incluem principalmente os amidos e açúcares. O papel primordial dos açúcares na cárie dentária é a sua capacidade de ser excelente fonte de fermentação para determinados microrganismos encontrados na saliva e na placa bacteriana.

Segundo FONSECA; GUEDES-PINTO (1995), a produção de ácido lático através do metabolismo glicolítico dos açúcares é responsável pela iniciação do processo carioso. Os carboidratos, principalmente a sacarose, são o substrato mais importante para o metabolismo da microbiota bucal.

As principais fontes de carboidratos são o pão, macarrão, batata, biscoitos, lactose proveniente do leite e frutose das frutas.

Os principais açúcares da dieta são:
- sacarose
, predominante na dieta, presente nos bolos, balas, frutas secas, ketchup e refrigerantes;
- glicose e frutose encontradas naturalmente no mel e nas frutas;
- lactose presente no leite; e
- maltose derivada da hidrólise do amido.

O mel contém 85% de açúcares, como a frutose e glicose. Por sua cariogenicidade, não deve-se utilizá-lo para "molhar" as chupetas.

A lactose é o açúcar que produz menor queda de pH da placa bacteriana, quando comparada aos outros tipos de açúcar.

A sacarose favorece a colonização de microrganismos bucais e aumenta a viscosidade da placa bacteriana, permitindo sua aderência aos dentes em quantidades maiores. Portanto, seu potencial cariogênico é maior que os outros açúcares. Os alimentos que contêm amido, tais como arroz, batata e pão, têm baixo potencial cariogênico. Porém, estes alimentos, quando cozidos e ingeridos com grande freqüência, podem causar cáries dentárias. A adição de açúcar a estes alimentos aumenta a sua cariogenicidade, ficando semelhante à dos alimentos que contêm apenas sacarose.

O potencial cariogênico da lactose está relacionado ao aumento da resposta acidogênica da placa bacteriana. Tal fato justifica as lesões de cárie associadas ao aleitamento materno prolongado, em crianças com mais de 3 anos de idade, com livre oferta do leite, principalmente durante a noite. O uso da mamadeira está em geral associado a um padrão cultural, contribuindo para o desenvolvimento da atividade de cárie. A combinação do amido com a sacarose e o grande número de ingestões diárias expõem a criança ao maior desafio.

A cariogenicidade dos alimentos está também relacionada ao tempo de permanência na cavidade bucal e suas características físicas de consistência e adesividade.

A "cárie de mamadeira" caracterizada pelo desenvolvimento rápido é geralmente observada em crianças que possuem o hábito de adormecer com a mamadeira na cavidade bucal, muitas vezes durante toda a noite. O fato da criança adormecer mamando é mais significativo que o conteúdo da mamadeira, na determinação da atividade cariogênica. Durante o sono os alimentos permanecem por mais tempo na cavidade bucal, devido à redução da velocidade do fluxo salivar, dos movimentos da língua e sua função na autolimpeza.

FATORES DEFENSIVOS

Alguns alimentos são capazes de elevar o pH da placa bacteriana, neutralizando a ação acidogênica de alguns alimentos. São comumente chamados alimentos protetores, tais como castanhas e nozes, amendoim, pipoca salgada e queijo. A mastigação do queijo pode reduzir o número de bactérias cariogênicas. Tanto a caseína quanto as proteínas do queijo podem estimular o fluxo salivar e auxiliar na redução da desmineralização do esmalte. O alto conteúdo de fósforo e cálcio pode ser outro fator do mecanismo cariostático do queijo. Os alimentos duros e fibrosos também possuem efeito protetor aos dentes por estimular a secreção salivar.

O leite possui alguns fatores de proteção, tal como a caseína. Esta une-se fortemente à hidroxiapatita, reduzindo sua solubilidade e dificultando a adesão de Streptococcus mutans à superfície do esmalte, através da inibição da adsorção de glicosiltransferase à superfície da hidroxiapatita. A caseína incorporada à placa bacteriana pode agir como reservatório de fosfato de cálcio, além de possuir efeito tampão sobre o pH da placa bacteriana.

Para MEDEIROS; SPYRIDES; FERREIRA (1995) os adoçantes, como um todo, são muito úteis na substituição dos açúcares e devem ser recomendados para a população em geral. Entretanto, existem dificuldades na utilização desses substitutos devido:
1 - ao sabor da sacarose;
2 - ao tempo de armazenagem, que é menor;
3 - à textura dos alimentos que se torna diferente;
4 - aos efeitos adversos desses adoçantes; e
5 - ao seu custo elevado.

A dieta assume maior importância diretamente sobre a cárie do que a nutrição, que teria papel coadjuvante ou secundário. Ela apresenta efeitos pré e pós-eruptivos (LEBER; CORREA, 1998).

Os fatores pré-eruptivos estão mais relacionados com a nutrição. São nutrientes que tanto a falta como o excesso podem causar problemas, como obesidade, doenças cardíacas, constipação, deficiências vitamínicas e de minerais; como também causar alterações durante a odontogênese. Daí a importância de se manter uma dieta adequada em crianças e grávidas. Exemplos:. A redução do ácido ascórbico na dieta causa diminuição na altura dos odontoblastos e a conseqüente má-formação dentinária (dentina porosa = cárie). A deficiência de vitamina A durante o desenvolvimento provoca atrofia dos ameloblastos, ou alteração na diferenciação dos ameloblastos; hipoplasia do esmalte e cálculos pulpares, fatores esses que podem levar a uma extensa cárie dentária. A deficiência protéica que leva a um aumento de suscetibilidade à cárie.

Os fatores pós-eruptivos estão mais relacionados à dieta. São fatores de ataque (principalmente açúcar e amido) e outros componentes da dieta que podem ou não aumentar localmente a produção de cárie. Temos os carboidratos, amido, minerais, fosfatos e a saliva.

A saliva é provavelmente o agente defensivo mais importante contra a cárie. Influencia diretamente a troca iônica com a estrutura dentária, onde há presença de fosfato de cálcio e o processo de desmineralização. Indiretamente, ela influencia na aderência bacteriana e na manutenção do pH pela sua capacidade tampão. A velocidade do fluxo, a composição e a função da saliva são alteradas por uma variedade de fatores dietéticos.

As únicas relações epidemiológicas bem definidas entre nutrientes da dieta e cárie são o açúcar e o flúor. É difícil mudar hábitos alimentares, especialmente se esta mudança requerer a eliminação de alimentos de sabor agradável, e facilmente disponíveis.

A prevenção da cárie dentaria tem sido uma das principais preocupações da odontologia nos últimos anos, e tem se lançado mão de muitos meios para tentar diminuir sua incidência. Assim, muito se tem feito à nível governamental, em comunidades ligadas às crianças, nos consultórios de atendimento público ou na clínica particular. Da mesma forma, tem se utilizado de várias maneiras para atingir este objetivo, e entre elas pode-se citar a fluoretação das águas de abastecimento, fluoretação domicilar, aplicações tópicas de soluções fluoretadas, bochechos com flúor e escovação dental.

Sabe-se que é praticamente impossível um aconselhamento sobre os hábitos alimentares, para todos os clientes no dia-a-dia do consultório. Mas, existem pacientes, em que é prioritária uma orientação alimentar. Segundo NIZEL (1980) seria indicado o procedimento orientador nas seguintes condições:

• pacientes com cárie rampante que:

- tenham índice de cárie excessivo para sua idade.
- tenham sido atacados por um surto agudo de cáries em um período relativamente curto (cerca de 6 meses).
- começam a apresentar cáries em superfícies geralmente imunes, por exemplo, as faces proximais dos incisivos inferiores.
- demonstram ter, no fundo das cavidades cariosas, dentina amolecida indicativa de um processo muito rápido.

• as crianças portadoras de aparelhos ortodônticos.

• todos os adolescentes que são, em geral, susceptíveis à cárie e doenças periodontais com hábito de se alimentar entre as refeições e com alimentos portadores de calorias vazias.

• os pacientes bem motivados, isto é, aqueles que a odontologia preventiva tenha significado.

Os pais devem ser orientados da importância de se ter uma amostragem real, em que não haja modificações ou introdução de novos hábitos alimentares. É necessário ressaltar que nesta primeira consulta não se fala aos pais da influência dos alimentos sobre os dentes. Isto, porque eles poderão omitir detalhes importantes na apresentação da dieta.

Segundo FONSECA; GUEDES PINTO (1984) no que se refere aos carboidratos, são os mais prejudiciais de todos os agentes nutritivos, mas, isto não quer dizer que todos os carboidratos tenham o mesmo potencial cariogênico.

Deve-se alertar aos pais sobre a freqüência do consumo dos açúcares e farináceos. As características físicas dos alimentos e sua consistência também deve ser levado em conta. Um alimento açucarado pegajoso é mais difícil de ser removido e vai ficar mais tempo em contato com a superfície do dente. Refrigerantes, bebidas gasosas contém ácidos carboxílicos, que devido ao pH ácido, alteram o esmalte e fazem-no provavelmente mais susceptível a um ataque cariogênico posterior. É importante esclarecer e orientar os pais sobre a importância da dieta equilibrada, rica em proteínas, gorduras, minerais, vitaminas, carboidratos não refinados.

Na educação do núcleo familiar, é necessário fazer ver que:

• É responsabilidade do núcleo familiar as mudanças dos hábitos alimentares, e não só do profissional.

• As mudanças devem ser graduais e planejadas, deve-se ajudar a criança e seu núcleo familiar a entender o porquê da rejeição de certos alimentos.

• As refeições principais e a merenda escolar devem ser planejadas. Uma dieta adequada é essencial durante o período de formação dos dentes a fim de assegurar o desenvolvimento normal das estruturas dentárias. Além disso, outro fator bem estabelecido é o de que as crianças e os adultos, ao seguirem a dieta básica recomendada, consumindo quantidades adequadas de proteínas, frutas frescas e vegetais perderão o apetite para comer entre as refeições.

• Deve haver controle dos alimentos fora das refeições. Se a criança sentir necessidade de se alimentar entre as refeições principais que seja com frutas frescas, leite, queijo, e outros de preferência alimentos duros e consistentes que produzam auto-limpeza. Como exemplo, geralmente acredita-se que as crianças devem ingerir mais alimentos, à medida que se tornam mais ativas. De acordo com FONSECA; GUEDES-PINTO (1984), o índice de crescimento da criança e não a sua atividade é que determinará seu apetite. Quando há uma queda no índice de crescimento, o apetite também diminui. É freqüente a opinião geral de que com um litro de leite por dia - goste ou não - a criança estará alimentada seja qual for a sua idade. Tal volume de leite, durante o período de idade pré-escolar, pode interferir na ingestão de alimentos sólidos, pois, sendo o leite bastante volumoso, ele satisfaz e conseqüentemente, reduz o desejo de alimentos sólidos à base de proteínas. Contudo nenhuma criança normal morrerá de fome podendo dispor de comida, mesmo que não seja forçada a comer. Se for obrigada, acabará adquirindo aversão em se alimentar nas horas certas, e, então, criará o hábito de se satisfazer nos intervalos com balas, refrigerantes, biscoitos.

• O profissional, através de estímulos positivos, deve motivar a criança e seu núcleo familiar a modificar a dieta. Durante o tratamento, novas listas de dieta devem ser requisitadas.

Quanto ao lanche escolar, tem se notado que a grande maioria das crianças levam para escola o que há de mais condenável em termos de alimento e cárie. Quais os alimentos que deveriam ser vendidos nas escolas? De quem é a responsabilidade na seleção dos alimentos?

Assim, parte desta responsabilidade depende dos pais, especialmente em crianças de menor idade, as quais tomam o lanche que os pais fornecem. Para as crianças maiores ou adolescentes, a conversa franca com o núcleo familiar, esclarece os malefícios do lanche, que na verdade, na maioria dos casos, são alimentos cariogênicos. É importante alertar os pais e as crianças sobre os alimentos que contenham adoçantes artificiais, corantes, estabilizantes e edulcorantes, que devem ser eliminados da merenda.

Relação da freqüência do consumo de alimentos açucarados entre as refeições e o aumento da incidência da cárie

Historicamente, a cárie dentária ,com poucas e recentes exceções, é conhecida como doença da civilização moderna.

A importância da saliva no processo da cárie, no entanto, é evidenciada em pacientes com redução de fluxo te , não se pode negar o mérito deste fator como aspecto a ser trabalhado dentro de qualquer programa de prevenção que se implante (SANGNES; ZACHRISSON; GJERMO, 1972).

Considerações gerais sobre cárie dentária

De acordo com LEGLER; MENAKER (1984), a cárie dentária figura entre as mais significantes doenças humanas simplesmente por causa da sua incidência e prevalência. Embora a severidade da doença em termos de seu perigo de vida potencial seja ina a suscetibilidade à cárie dentária e o desenvolvimento básico da doença.

A cárie dentária deve ser reconhecida como uma doença significante na história da vida do homem. Sua singularidade provém de seu caráter progressivo, custo, desconforto e seus efeitos sobre a saúde e personalidade.

Conceitos históricos e epidemiológicos

Reconhecidos os enormes problemas e as limitações para motivar as pessoas a abandonarem esse agradável e aparentemente ingênuo hábito do uso de alimentos cariogênicos, sobretudo balas, gomas-de-mascar, jujubas, etc., entre as refeições, há um grande esforço internacional para o desenvolvimento de adoçantes não cariogênicos ou apenas, menos cariogênicos do que a sacarose.

Assim vêm sendo utilizadas e testadas uma série de substâncias com essa finalidade.

Segundo WEYNE (1980), pode-se citar os adoçantes artificiais sintéticos, os adoçantes naturais hipoacidogênicos, os não acidogênicos, além de um número de outros produtos ainda nas fases iniciais de investigação de laboratório.

Recentemente os investigadores em odontologia preventiva, vêm testando e empregando uma outra classe de carboidratos de gosto doce, os polióis, como substitutos para a sacarose em alimentos cariogênicos.

Para WEYNE (1980), há poucos anos, um poliol - o xilitol, foi exaustivamente testado através de um ambicioso estudo clínico, bioquímico e microbiológico ("Turku Sugar Studies") levado a efeito entre 1972 e 1975 na Finlândia. Por exibir um poder adoçante semelhante ao da sacarose, não ser acidogênico e nem cariogênico, além de bem tolerado pelo organismo e por possuir virtualmente todos as características tecnológicas e fisiológicas da sacarose, vem merecendo especial consideração no campo da prevenção da cárie, por controle dietético.

Atitudes e comportamento dos indivíduos em relação ao açúcar

Analisando a questão da educação em saúde como um todo, BROWN; MARGO (1978) citados por FREIRE (1995) afirmam que o principal papel da educação em saúde é fornecer meios para que as pessoas possam examinar as condições insalubres do seu meio ambiente e ajudá-las a aprender como remover as condições nocivas à saúde. Neste contexto, a educação nutricional, deveria visar a melhoria da saúde através da promoção de hábitos adequados e eliminação de práticas dietéticas insatisfatórias.

Segundo FREIRE (1995), programas educativos e preventivos em saúde bucal freqüentemente têm falhado em promover melhorias nos hábitos alimentares dos indivíduos em relação ao açúcar baseando-se apenas em fornecer noções sobre o seu papel na formação da cárie e recomendações inconsistentes sobre o seu consumo.

Dentre os fatores que contribuem para o insucesso da educação em saúde bucal pode-se citar a inexistência de uma política nacional de alimentação e saúde que integre as necessárias medidas governamentais, o desconhecimento por parte dos próprios profissionais sobre os fatores que influenciam o consumo do açúcar, bem como dos próprios limites da educação em saúde na mudança de hábitos dos indivíduos. NIZEL (1980), acrescenta que o aconselhamento dietético pode falhar em odontologia devido a problemas em relação aos profissionais, tais como a falta de conhecimento científico sobre a relação entre dieta, nutrição e cárie; técnicas inadequadas de comunicação com os pacientes; atitudes derrotistas em relação aos resultados esperados; falta de habilidade em motivar os pacientes a aceitar as modificações; recomendações dietéticas irrealísticas e falta de reforço contínuo.

Aspectos sociais, culturais e educacionais

Os hábitos alimentares dos indivíduos e sua seleção dos alimentos podem ser influenciados por aspectos psicológicos, sócio-culturais, educacionais e econômicos, além da disponibilidade dos alimentos, numa complexa interação de efeitos sociais, psicológicos e fisiológicos.

Segundo MOTTA; BOOG (1987), o comportamento alimentar tem suas raízes fixadas geralmente na infância através da família, sustentadas pela tradição, crenças, valores e tabus que passam através das gerações e se arraigam profundamente no indivíduo. No entanto, este comportamento pode ser alterado devido à mudanças espontâneas do meio, tais como o poder aquisitivo, a disponibilidade do alimento, importância social dos alimentos, nível de escolaridade do consumidor e necessidades psicológicas dos indivíduos.

Na atualidade, muitas dessas mudanças espontâneas tem sido provocadas por interesses comerciais, induzidas pela propaganda, levando entretanto à mudanças desfavoráveis, como por exemplo a introdução de alimentos de baixo valor nutritivo e valor social elevado, como os refrigerantes, guloseimas e outros, mesmo em famílias de baixa renda. O avanço da tecnologia alimentar combinado com a propaganda tem levado a uma mudança do alimento preparado em casa para o disseminado e crescente uso de alimentos processados e lanches rápidos.

MOTTA; BOOG (1987) sistematizam os fatores que influenciam o comportamento alimentar em três níveis ou componentes: cognitivo, afetivo e situacional.

O cognitivo (conhecimento) corresponde àquilo que se sabe sobre alimentação, enquanto o afetivo (motivação) corresponde àquilo que se sente sobre os alimentos e práticas alimentares, constituindo nossas atitudes em relação aos mesmos e que envolvem os valores sociais, culturais e religiosos, podendo ter maior influência do que o cognitivo. O componente situacional corresponde aos fatores sociais e econômicos.

No aspecto cognitivo, tem-se verificado que existe uma defasagem entre os conhecimentos científicos dos programas educativos e a sua utilização na alimentação diária e uma considerável influência dos conhecimentos não-científicos (frutos do senso comum) sobre o comportamento alimentar. Embora uma boa informação seja necessária, não é uma condição suficiente para mudar comportamentos alimentares. SHEIHAM (1981) sugere que alterações importantes na dieta podem ser obtidas através de abordagens populacionais utilizando as organizações comunitárias, a mídia, as autoridades responsáveis e instruções corpo-a-corpo, no sentido de modificar a política de alimentação a nível local e geral. Desta forma, a informação ao público e a educação em saúde podem ser eficazes até certo ponto, mas mudanças significativas requerem ações governamentais.

Para FREIRE (1995) as necessidades psicológicas, ao contrário das fisiológicas, constituem importantes determinantes do comportamento, inclusive do alimentar.

Se durante o processo de formação de seu comportamento alimentar o indivíduo associou, por condicionamento, determinados alimentos (doces, por exemplo) a determinados motivos (afeto, por exemplo), ele poderá buscar os doces ao sentir necessidades de afeto. O sabor e a aparência do alimento também são fatores extremamente importantes na seleção dos alimentos. O ser humano tem preferência pelo sabor doce desde a infância e doces geralmente são oferecidos como presentes e prêmios. Assim, as necessidades psicológicas exercem grande influência sobre o comportamento alimentar, pois o predispõem independentemente das necessidades fisiológicas. Além de constituir barreiras de difícil transposição para a modificação de um hábito alimentar inadequado, as necessidades psicológicas são também os elementos-chave dos processos de indução à mudança de práticas usados pelos meios de comunicação em massa, geralmente com interesses econômicos.

No ensaio intitulado "Um enfoque simbólico do comer e da comida nas doenças" GARCIA (1992), critica a tendência biologista atual da ciência da nutrição, onde o comer é visto somente pelo prisma biológico e enfatiza a importância da alimentação enquanto manifestação cultural, com valores e significados para o indivíduo e a sociedade.

Os fatores econômicos podem limitar a mudança para uma prática alimentar correta se esta depender de um aumento dos gastos com alimentação e não apenas de uma relocação de recursos, o que geralmente ocorre nos grupos de renda mais baixa. Neste caso, a educação alimentar por si só apresenta mínimas perspectivas de sucesso. De acordo com FREIRE (1995) em outros casos, o fator econômico é limitante, mas não inviabiliza a educação nutricional, pois parte dos recursos orçamentários das famílias é utilizado para adquirir alimentos supérfluos. Assim, a ação educativa será no sentido de relocar os recursos em alimentos essenciais e complementares que poderá ter resultados positivos.

Em relação aos fatores sociais, estes podem facilitar ou dificultar a alteração desejada e incluem as normas sociais e padrões culturais que constituem as regras básicas de comportamento seguidas pelos indivíduos que pertencem a determinado grupo. Alguns grupos em condições especiais como tipo de ocupação, estado de saúde ou prática esportiva, podem adotar um consumo freqüente de lanches rápidos e açucarados, sendo consideradas, portanto, situações de alto risco à saúde (FREIRE, 1995). Outros aspectos de importância em relação ao fator social são os apoios estruturais que referem-se à presença ou não do alimento ao alcance do indivíduo e dependem de fatores que vão desde a produção até a disponibilidade a nível doméstico, e a coerção social (o chamado reforço positivo ou negativo), que é dado pelo meio social às práticas alimentares de uma pessoa em particular. Segundo MOTTA; BOOG (1987), se as normas sociais, os apoios estruturais e a coerção social são negativos, somente pessoas excepcionalmente seguras se manteriam fiéis às suas decisões.

A saúde dentária interligada aos fatores dietéticos e nutricionais

De acordo com TOLLENDAL (1991), a saúde dentária iniciou seu declínio quando o homem primitivo descobriu o fogo e começou a cozer seus alimentos. Enquanto eles eram consumidos em suas formas mais naturais, impondo a necessidade da mastigação, para que pudessem ser deglutidos, os dentes eram mais sadios. A perda da saúde dos dentes está intimamente ligada ao consumo de alimentos muito cozidos, liquidificados e refinados, pois os mesmos não precisam ser mastigados. O desenvolvimento de defeitos e atresias não só dos dentes, mas também das arcadas dentárias, é devido à ausência de alimentos duros, secos e ásperos na dieta, o que desenvolve defeitos de articulação e necessidade de correções por aparelhos ortopédicos e ortodônticos. Ela alerta ainda sobre o uso excessivo de líquido às refeições, pois tal hábito irá diluir os sucos digestivos e prejudicar a digestão e assimilação dos alimentos. Cuidados devem ser tomados também sobre o uso abusivo de alimentos muito salgados ou muito doces, pois toda essa quantidade desequilibrada de alimento prejudica a nutrição e conseqüentemente a saúde do indivíduo.

É de suma importância que os odontopediatras, sobretudo, se conscientizem destes conhecimentos para que os utilizem na orientação feita aos pais quanto aos hábitos infantis.

Referências bibliográficas
  1. BROWN, E. R.; MARGO, G. E. Health education: can the reformers be reformed? International Journal of Health Services , v.8, n.1, p.3-26, 1978. Apud FREIRE, M. C. M. Fatores que influenciam hábitos dietéticos em relação ao consumo de açúcar, Revista de Odontopediatria, v.4, n.2, p.75-83, abr/mai/jun, 1995.
  2. FONSECA, Y. P. C.; GUEDES-PINTO, A. C. Controle da dieta alimentar em pacientes de odontopediatria com alta incidência de cárie. Revista da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas, v.38, n.4, jul/ago, p.289-301, 1984.
  3. FONSECA, Y. P. C.; GUEDES-PINTO, A. C. Hábitos alimentares e a cárie dentária. In: GUEDES-PINTO, A. C. Odontopediatria. São Paulo: Ed. Santos, 5.ed., Cap. 27, p.545-577, 1995.
  4. FREIRE, M. C. M. Fatores que influenciam hábitos dietéticos em relação ao consumo de açúcar. Revista de Odontopediatria , v.4, n.2, p.75-83, abr/mai/jun, 1995.
  5. GARCIA, R.W.D. Um enfoque simbólico do comer e da comida nas doenças. Revista de Nutrição da Pontifícia Universidade Católica de Campinas , v.5, n.1, p.70-80, 1992.
  6. LEBER, P. M.; CORREA, M. S. N. P. Dieta. In: CORREA, M. S. N. P. Odontopediatria na primeira infância. São Paulo: Ed. Santos, Cap.23, p.279-289, 1998.
  7. MEDEIROS, U. V.; SPYRIDES, G. M.; FERREIRA, N. A. Prevenção à cárie através da dieta. Revista Brasileira de Odontologia , v.52, n.2, p.42-46, mar/abril, 1995.
  8. MOTTA, D. G.; BOOG, M. C. F. Educação nutricional, 2.ed. São Paulo: Ibrasa, p.17-63, 1987.
  9. NIZEL, A. E. Nutrition in preventive dentistry science and practive. Saunders, Philadelphia, W.B., 1980.
  10. SHEIHAM, A. The role of health education in reducing sugar consumpton. New Zealand Dental Journal , v.77, n.348, p.49-56, 1981.
  11. TOLLENDAL, M.E. Axiomas em odontopediatria social : Saúde dentária . In: Estomatologia - Preventiva e Abrangente. São Paulo: Pancast, Cap.4, p.135-141, 1991.
  12. WEYNES, S. Xilitol substituto para a sacarose na prevenção da cárie dentária: uma revisão. Revista Brasileira de Odontologia , Rio de Janeiro, v.6, nov./dez., 1980.

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