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sábado, 15 de março de 2008

Odontologia _ CÁRIE DE MAMADEIRA_Odontopediatria

CÁRIE DE MAMADEIRA

Considerações gerais, epidemiologia, implicações clínicas da lesão de cárie a nível profissional e social, prevenção.

NURSING BOTTLE SYNDROME

General considerations, epidemiology, clinical implications of the carie lesion at professional and social level, prevention.

LARA, MÁRCIO OLIVEIRA *

RESUMO

O presente trabalho faz uma revisão de literatura e descreve sobre a cárie dentária. Destaca a “cárie de mamadeira”, manifestação da cárie rampante em crianças bem jovens associada a hábitos de dormir mamando líquido açucarado em mamadeira. O contéudo do trabalho aborda a questão acerca da influência da dieta rica em açúcares e a doença cárie. Os fatores sócio-econômicos e culturais foram considerados e são determinantes na aquisição dos alimentos.

UNITERMOS

Cárie dentária; Higiene bucal; Hábitos alimentares.

KEYWORDS

Dental carie; Buccal hygiene ; Alimentary habits.

***** Alunos do curso de graduação da Faculdade de Odontologia da Uniube

INTRODUÇÃO

A cárie dentária é uma doença complexa e multifatorial. É de origem bacteriana, cuja evolução é influenciada pelos hábitos dietéticos e de higiene bucal, pela microflora considerando-se também o tempo de atuação destes fatores e de erupção do dente. É um processo dinâmico que inicia com a desmineralização submicroscópica do esmalte, não sendo um evento linear evoluindo para cavidade e perda dental. O processo pode ser interrompido em qualquer uma das etapas em que ela for surpreendida. A cavidade é considerada uma seqüela de uma doença que iniciou bem antes sendo possível o tratamento restaurador com economia de tecido dentário sadio. Este controle é exercido pelo sistema tampão da saliva e placa bacteriana assim como a presença de flúor em suas diversas formas de administração determinando o equilíbrio entre a desmineralização e a remineralização do esmalte dental (LARA8,2000).

A forma mais comum de manifestação da cárie rampante em crianças bem jovens tem etiologia específica associada a hábitos de dormir mamando leite açucarado, ou qualquer outra solução rica em açúcares (xaropes, mel, suco de fruta adoçado e/ou chás). Esta situação representa a chamada “cárie de mamadeira” e é um problema sério, visto que as crianças atingidas são muito novas e as lesões evoluem de forma aguda (CAMERON; WIDMER3, 2001).

Embora a cárie seja notada clinicamente como uma cavitação na superfície do dente, este estágio é precedido por uma série de reações em nível bioquímico que envolve a superfície do dente e seu meio adjacente, especialmente na interface placa-superfície dentária. Existem correlações em grupos populacionais entre desenvolvimento de cáries e fatores tais como idade, sexo, nacionalidade, localização geográfica, grau de civilização e influências familiares.

A dieta tem um papel central no desenvolvimento da cárie dentária. Assim, com a ingestão de um carboidrato fermentável, como a sacarose, ocorre a produção de ácidos pelas bactérias, levando a uma queda do pH da placa, que mantém-se por 40 a 60 minutos. A potencialidade de inúmeros alimentos na produção da cárie dentária tem sido bastante estudada. Está bem estabelecido que certos alimentos podem aumentar o risco à cárie dentária, o que é particularmente verdadeiro para aqueles ricos em sacarose.

Os carboidratos, comumente presentes na dieta, são estimuladores das lesões de cárie que exercem seu efeito cariogênico na superfície do dente.

Os hábitos alimentares influenciados por uma complexa interação de aspectos psicológicos, sócio-culturais, educacionais e econômicos, e a educação representa um item essencial para a aquisição nas mudanças desses hábitos (LARA8,2000).

Não obstante, há indicações também de mudanças nos hábitos alimentares que poderiam ter alguma influência na prevalência de cárie. Sugere-se que o aumento da prevalência de cáries em algumas sociedades está ligado a mudanças mundiais na produção, distribuição e consumo da sacarose (TANZER19, 1995).

REVISÃO DE LITERATURA

Historicamente, a cárie dentária ,com poucas e recentes exceções, é conhecida como doença da civilização moderna, de vez que o homem pré-histórico raramente apresentava essa forma de destruição dentária. A maioria das evidências a respeito da prevalência de cárie no homem pré-histórico é da ordem de 10 a 15 % (THYLSTRUP; FEJERSKOV20, 1988). Considera-se que o mais sério aumento na prevalência e na severidade da cárie ocorreu no início do século XIX e a presença da doença em dentes anteriores tornou-se comum (THYLSTRUP; FEJERSKOV20, 1988).

Tem sido aceito há muitos anos que o consumo de açúcar é o maior fator de risco para o aparecimento de cárie dentária, segundo o estabelecido por GUSTAFSSON et al.7, (1954), no clássico estudo de Vipeholm, desenvolvido na Suécia em 1954. Foi demonstrado a partir de então que o risco do açúcar aumentar a atividade cariosa era bem maior se fosse consumido entre as refeições e sob uma forma que o retivesse na cavidade bucal por um período prolongado de tempo.

A dieta tem um papel central no desenvolvimento da cárie dentária (MAYER12, 1989). A sacarose é um produto barato, um adoçante facilmente disponível, com grande poder de estabilidade em sua formulação (SPEIRS; BEELEY18, 1992). Porém ,a substituição da sacarose, ainda é uma grande barreira, representada pelos hábitos alimentares. O sabor doce é essencial na prática desses hábitos, talvez até psicológicos (PINHEIRO15, 1987). O papel do açúcar na etiologia da cárie e outras doenças crônico-degenerativas de alta prevalência tem despertado o interesse das autoridades de saúde nas últimas décadas e resultado em recomendações dietéticas no sentido de reduzir o seu consumo (FREIRE6, 1995).

A saliva pode remineralizar lesões de cárie iniciais (Ca e P). Este processo de remineralização é favorecido pela presença de flúor (MALTS10, 2000).

Segundo SHAFER; HINE; LEVY17 (1985), os carboidratos cariogênicos são de origem dietética. Eles variam com a frequência de ingestão, a via de administração, a composição química, a forma física e a presença de outros constituintes dos alimentos.

De acordo com BHASKAR1 (1976), O Streptococcus mutans por sua ação sobre a sacarose da dieta, por sua ação, produz a dextrana, que causa a pegajosidade da placa. O S. mutans e outras bactérias da placa, agem sobre a frutose da alimentação para produzir ácido lático, que causa descalcificação do esmalte (pH=5,5).

A relação existente entre a dieta e a cárie dental está muito bem fundamentada e tem destaque cada vez maior em estudos de prevenção. Atualmente , não se pode negar o mérito deste fator como aspecto a ser trabalhado dentro de qualquer programa de prevenção que se implante (SANGNES; ZACHRISSON; GJERMO16, 1972).

CONTEÚDO TEÓRICO

5.1 Considerações gerais sobre cárie dentária

De acordo com LEGLER; MENAKER9 (1984), a cárie dentária figura entre as mais significantes doenças humanas simplesmente por causa da sua freqüência de ocorrência. Embora a severidade da doença em termos de seu perigo de vida potencial seja limitada, exceto em raras ocasiões, certas conseqüências importantes devem ser salientadas.

Outra notável característica da doença é seu efeito sobre a estética. A cárie dentária é uma doença desfigurante, uma vez que a dentição está integralmente relacionada com o sorriso, fala e personalidade total de uma pessoa. Além do mais, a cárie dentária tem implicações relativas à saúde como um todo. A dentição não somente é essencial para a adequada mastigação do alimento, para a deglutição e digestão, mas doenças dos dentes podem ter efeitos sistêmicos como no caso da endocardite bacteriana subaguda.

Cárie dentária pode ser definida de várias formas. Do ponto de vista de um histopatologista, a doença pode ser descrita em termos de estágios da lesão observados microscopicamente. O químico descreve o processo da cárie em termos de inter-relação entre pH, fluxo mineral e solubilidade na interface dente-saliva. O microbiologista define cárie fundamentalmente em termos de interações envolvendo bactérias da cavidade oral e tecidos dentários.

É fundamentalmente uma doença microbiológica que afeta os tecidos calcificados dos dentes, começando primeiro com uma dissolução localizada das estruturas inorgânicas de uma dada superfície do dente por ácidos de origem bacteriana, a qual acarreta uma desintegração da matriz orgânica. É normalmente uma doença progressiva e, se não tratada, a lesão aumentará de tamanho e progredirá em direção à polpa resultando em aumento progressivo de dor e inflamação pulpar. Finalmente, o resultado será necrose pulpar e perda da vitalidade do dente.

Analisando-se a cárie dentária mais amplamente, ela pode ser vista como uma doença dependente de múltiplos fatores. A mediação bacteriana ocorre através da produção de ácidos orgânicos por microrganismos orais, os quais utilizam, como substrato, carboidratos disponíveis localmente. A dieta do hospedeiro fornece a principal fonte de tais substratos, de tal forma que a dieta pode ser vista como um fator primário na determinação da suscetibilidade para a doença.

Uma série de fatores intrínsecos ao hospedeiro também determinam a suscetibilidade e severidade da doença. Eles incluem a composição e fluxo da saliva, forma do dente, alinhamento do arco e a natureza físico-química da superfície do dente. A última pode ser influenciada pela ingestão de vários elementos-traço na dieta, ou através de um efeito de superfície por elementos tais como o fluoreto. Finalmente, a composição da placa bacteriana é um fator primário. Várias bactérias bucais estão envolvidas com o processo de cárie. É a combinação de todos esses fatores, superpostos sobre os mecanismos de dissolução ácida bacteriana da superfície do dente, que determina a suscetibilidade à cárie dentária e o desenvolvimento básico da doença.

5.2 Conceitos históricos e epidemiológicos

A complexidade do processo de cárie tem despertado um amplo espectro de interesse intelectual, filosófico e de pesquisa através dos séculos. Aristóteles, Hipócrates e Shakespeare comentaram sobre a cárie dentária em seus escritos. Conceitos relativos à etiologia da cárie dentária têm atribuído o problema, várias vezes na história, a um desequilíbrio dos homores do corpo, a vermes como agentes causais, ou a uma desintegração interna do dente (a Teoria Vital). O conhecimento corrente do processo de cárie começou a tomar forma em 1819 com as observações de L.S. Parmly. Ele observou que a cárie começa na superfície do esmalte dentário em locais onde ocorre a retenção de alimento e que a lesão progride em direção à polpa. Além disso, especulou que um agente químico estava envolvido no processo.

Mais recentemente, atenção tem sido voltada para o papel da placa dentária na iniciação da lesão de cárie em sítios específicos do dente. Por definição, placa é uma massa bacteriana aderente, que preferencialmente se desenvolve na superfície do dente. É facilmente tangível utilizando-se certos agentes evidenciadores, e não é removida por lavagens ou jato de água. A placa gera metabólitos bacterianos. Estes, com certas substâncias exógenas, se concentram dentro da placa. É este ecossistema bacteriano que possibilitou que as influências destrutivas da bactéria cariogênica sejam concentradas em sítios específicos da superfície do dente. Para LEGLER; MENAKER9 (1984), pesquisas recentes mostram que quando a placa é sistematicamente removida da superfície do dente por processos bem controlados de higiene oral e profilaxia, a incidência de cárie pode ser marcadamente reduzida para um nível próximo de zero.

Um dos aspectos fascinantes desta doença é a aparência variável da própria lesão e seu progresso temporal. Uma lesão de cárie pode apresentar-se clinicamente mole e polpuda, de cor castanha e dura, ou branca e semelhante a greda. Esta pode progredir para uma cavidade clinicamente detectável em menos do que três meses ou exibir um progresso lento estendendo-se por um período de anos. Muitas lesões incipientes nunca se desenvolvem em cavidades observáveis clinicamente, uma vez que podem ser detidas em um estágio inicial de desenvolvimento.

De interesse também é o indivíduo com cárie rampante. Este é um termo usado para descrever uma condição caracterizada por um acontecimento de cárie de velocidade extremamente alta e rápida progressão das lesões, caracterizando as lesões de cárie de mamadeira. Freqüentemente as superfícies labiais dos dentes anteriores estão envolvidas, assim como as superfícies interproximais dos dentes incisivos inferiores.

5.3 Implicações clínicas da lesão de cárie a nível profissional e social

As implicações clínicas da lesão de cárie devem ser reconhecidas, uma vez que o progresso da lesão resulta finalmente em necessidade de tratamento. À medida que a lesão de cárie se desenvolve, a área de cavitação normalmente progride lateralmente e em direção à polpa. Quantidades variáveis da estrutura funcional do dente são perdidas e, se não se proceder ao devido tratamento, eventualmente ocorrerá necrose pulpar. O paciente freqüentemente se apresenta com dor, sensibilidade durante a mastigação no lado afetado e, às vezes salivação. Patologia periapical aparece usualmente como uma seqüela da necrose pulpar. Finalmente, na ausência de tratamento restaurador, a doença requer extração do dente implicado ou tratamento do canal radicular.

5.4 Fatores de prevenção à cárie

Como a dieta é um dos principais fatores no desenvolvimento da cárie dentária, uma avaliação dietética é parte fundamental do exame. Isto deverá ser feito em pacientes com alta atividade de cárie, ou naqueles com um padrão de cárie incomum (LARA8,2000).

O papel primordial dos açúcares na cárie dentária é a sua capacidade de ser excelente fonte de fermentação para determinados microrganismos encontrados na saliva e na placa bacteriana. Segundo FONSECA; GUEDES-PINTO5 (1995), a produção de ácido lático através do metabolismo glicolítico dos açúcares é responsável pela iniciação do processo carioso. Os carboidratos, principalmente a sacarose, são o substrato mais importante para o metabolismo da microbiota bucal. Principais fontes de carboidratos: pão, macarrão, batata, biscoitos, lactose proveniente do leite e frutose das frutas. O mel contém 85% de açúcares, como a frutose e glicose. Por sua cariogenicidade, não deve-se utilizá-lo para “molhar” as chupetas. A lactose é o açúcar que produz menor queda de pH da placa bacteriana, quando comparada aos outros tipos de açúcar. A sacarose favorece a colonização de microrganismos bucais e aumenta a viscosidade da placa bacteriana, permitindo sua aderência aos dentes em quantidades maiores. Portanto, seu potencial cariogênico é maior que os outros açúcares. A cariogenicidade dos alimentos está também relacionada ao tempo de permanência na cavidade bucal e suas características físicas de consistência e adesividade.

O leite possui alguns fatores de proteção, tal como a caseína. Esta une-se fortemente à hidroxiapatita, reduzindo sua solubilidade e dificultando a adesão de Streptococcus mutans à superfície do esmalte, através da inibição da adsorção de glicosiltransferase à superfície da hidroxiapatita. A caseína incorporada à placa bacteriana pode agir como reservatório de fosfato de cálcio, além de possuir efeito tamponante sobre o pH da placa bacteriana. O potencial cariogênico da lactose está relacionado ao aumento da resposta acidogênica da placa bacteriana. Tal fato justifica as lesões de cárie associadas ao aleitamento materno prolongado, em crianças com mais de 3 anos de idade, com livre oferta do leite, principalmente durante a noite. O uso da mamadeira está em geral associado a um padrão cultural, contribuindo para o desenvolvimento da atividade de cárie. A combinação do amido com a sacarose e o grande número de ingestões diárias expõem a criança ao maior desafio (LARA8,2000).

A “cárie de mamadeira” caracterizada pelo desenvolvimento rápido é geralmente observada em crianças que possuem o hábito de adormecer com a mamadeira na cavidade bucal, muitas vezes durante toda a noite. O fato de a criança adormecer mamando é mais significativo que o conteúdo da mamadeira, na determinação da atividade cariogênica. Durante o sono os alimentos permanecem por mais tempo na cavidade bucal, devido à redução da velocidade do fluxo salivar, dos movimentos da língua e sua função na autolimpeza.

Para MEDEIROS; SPYRIDES; FERREIRA13 (1995) os adoçantes, como um todo, são muito úteis na substituição dos açúcares e devem ser recomendados para a população em geral. Entretanto, existem dificuldades na utilização desses substitutos devido: 1 – ao sabor da sacarose; 2 – ao tempo de armazenagem, que é menor; 3 – à textura dos alimentos que se torna diferente; 4 – aos efeitos adversos desses adoçantes; e 5 – ao seu custo elevado.

A prevenção da cárie dentaria tem sido uma das principais preocupações da odontologia nos últimos anos, e tem se lançado mão de muitos meios para tentar diminuir sua incidência. Assim, muito se tem feito à nível governamental, em comunidades ligadas às crianças, nos consultórios de atendimento público ou na clínica particular. Da mesma forma, tem se usado de várias maneiras para atingir este objetivo, e entre estes, é citado a fluoretação das águas de abastecimento, fluoretação domicilar, aplicações tópicas de soluções fluoretadas, bochechos com flúor e escovação dental (LARA8,2000).

Segundo FONSECA; GUEDES PINTO4 (1984) no que se refere aos carboidratos, são os mais prejudiciais de todos os agentes nutritivos, mas, isto não quer dizer que todos os carboidratos tenham o mesmo potencial cariogênico.

Deve-se alertar aos pais sobre a freqüência do consumo dos açúcares e farináceos. As características físicas dos alimentos e sua consistência também deve ser levado em conta. Um alimento açucarado pegajoso é mais difícil de ser removido e vai ficar mais tempo em contato com a superfície do dente. Refrigerantes, bebidas gasosas contém ácidos carboxílicos, que devido ao pH ácido, alteram o esmalte e fazem-no provavelmente mais susceptível a um ataque cariogênico posterior. É importante esclarecer e orientar os pais sobre a importância da dieta equilibrada, rica em proteínas, gorduras, minerais, vitaminas, carboidratos não refinados. Na educação do núcleo familiar, é necessário fazer ver que:

1. É responsabilidade do núcleo familiar as mudanças dos hábitos alimentares, e não só do profissional.

2. As mudanças devem ser graduais e planejadas, deve-se ajudar a criança e seu núcleo familiar a entender o porquê da rejeição de certos alimentos.

3. As refeições principais, a merenda escolar devem ser planejadas. Uma dieta adequada é essencial durante o período de formação dos dentes a fim de assegurar o desenvolvimento normal das estruturas dentárias. Além disso, outro fator bem estabelecido é o de que as crianças e os adultos, ao seguirem a dieta básica recomendada, consumindo quantidades adequadas de proteínas, frutas frescas e vegetais perderão o apetite para comer entre as refeições.

4. Deve haver controle dos alimentos fora das refeições. Se a criança sentir necessidade de se alimentar entre as refeições principais que seja com frutas frescas, leite, queijo, e outros de preferência alimentos duros e consistentes que produzam auto-limpeza. Como exemplo, geralmente acredita-se que as crianças devem ingerir mais alimentos, à medida que se tornam mais ativas. De acordo com FONSECA; GUEDES-PINTO4 (1984), o índice de crescimento da criança e não a sua atividade é que determinará seu apetite. Quando há uma queda no índice de crescimento, o apetite também diminui. É freqüente a opinião geral de que com um litro de leite por dia – goste ou não – a criança estará alimentada seja qual for a sua idade. Tal volume de leite, durante o período de idade pré-escolar, pode interferir na ingestão de alimentos sólidos, pois, sendo o leite bastante volumoso, ele satisfaz e conseqüentemente, reduz o desejo de alimentos sólidos a base de proteínas. Contudo nenhuma criança normal morrerá de fome podendo dispor de comida, mesmo que não seja forçada a comer. Se for obrigada, acabará adquirindo aversão em se alimentar nas horas certas, e, então, criará o hábito de se satisfazer nos intervalos com balas, refrigerantes, biscoitos.

5. O profissional, através de estímulos positivos, motivar a criança e seu núcleo familiar a modificar a dieta. Durante o tratamento, novas listas de dieta devem ser requisitadas.

3.0 Atitudes e comportamento dos indivíduos em relação ao açúcar

Analisando a questão da educação em saúde como um todo, BROWN;MARGO2 (1978) citados por FREIRE6 (1995) afirmam que o principal papel da educação em saúde é fornecer meios para que as pessoas possam examinar as condições insalubres do seu meio ambiente e ajudá-las a aprender como remover as condições nocivas à saúde. Neste contexto, a educação nutricional, deveria visar a melhoria da saúde através da promoção de hábitos adequados e eliminação de práticas dietéticas insatisfatórias.

4.0 Aspectos sociais, culturais e educacionais:

Os hábitos alimentares dos indivíduos e sua seleção dos alimentos podem ser influenciados por aspectos psicológicos, sócio-culturais, educacionais e econômicos, além da disponibilidade dos alimentos, numa complexa interação de efeitos sociais, psicológicos e fisiológicos. Segundo MOTTA; BOOG14 (1987), o comportamento alimentar tem suas raízes fixadas geralmente na infância através da família, sustentadas pela tradição, crenças, valores e tabus que passam através das gerações e se arraigam profundamente no indivíduo. No entanto, este comportamento pode ser alterado devido à mudanças espontâneas do meio, tais como o poder aquisitivo, a disponibilidade do alimento, importância social dos alimentos, nível de escolaridade do consumidor e necessidades psicológicas dos indivíduos.

Para FREIRE6 (1995) as necessidades psicológicas, ao contrário das fisiológicas, constituem importantes determinantes do comportamento, inclusive do alimentar. Se durante o processo de formação de seu comportamento alimentar o indivíduo associou, por condicionamento, determinados alimentos (doces, por exemplo) a determinados motivos (afeto, por exemplo), ele poderá buscar os doces ao sentir necessidades de afeto. O sabor e a aparência do alimento também são fatores extremamente importantes na seleção dos alimentos. O ser humano tem preferência pelo sabor doce desde a infância e doces geralmente são oferecidos como presentes e prêmios. Assim, as necessidades psicológicas exercem grande influência sobre o comportamento alimentar, pois o predispõem independentemente das necessidades fisiológicas. Além de constituir barreiras de difícil transposição para a modificação de um hábito alimentar inadequado, as necessidades psicológicas são também os elementos-chave dos processos de indução à mudança de práticas usados pelos meios de comunicação em massa, geralmente com interesses econômicos.

5.0 A saúde dentária interligada aos fatores dietéticos e nutricionais

De acordo com TOLLENDAL21 ( 1991), a saúde dentária iniciou seu declínio quando o homem primitivo descobriu o fogo e começou a cozer seus alimentos. Enquanto eles eram consumidos em suas formas mais naturais, impondo a necessidade da mastigação, para que pudessem ser deglutidos, os dentes eram mais sadios. A perda da saúde dos dentes está intimamente ligada ao consumo de alimentos muito cozidos, liquidificados e refinados, pois os mesmos não precisam ser mastigados. O desenvolvimento de defeitos e atresias não só dos dentes, mas também das arcadas dentárias, é devido à ausência de alimentos duros, secos e ásperos na dieta, o que desenvolve defeitos de articulação e necessidade de correções por aparelhos ortopédicos e ortodônticos.

A mesma alerta o uso excessivo de líquido às refeições, pois tal hábito irá diluir os sucos digestivos e prejudicar a digestão e assimilação dos alimentos, o mesmo deve ser acompanhado com o uso abusivo de sal, alimento muito salgado como muito doce, pois toda essa quantidade desequilibrada de alimento prejudica a nutrição e conseqüentemente a saúde do indivíduo.

6.0 Cárie de Mamadeira

6.1 Conceito

É descrita como um tipo de cárie aguda e extensa encontrada em crianças com menos de 3 anos de idade que têm por hábito mamar à noite. A prevalência deste tipo de cárie relatada na literatura varia de 2,5 a 15% de acordo com CAMERON ; WIDMER (2001).

6.2 Características

q Cárie extensa que afeta os dentes anteriores superiores.

q Outras lesões irão aparecer nos dentes posteriores superiores e inferiores.

q Os caninos são menos afetados do que os primeiros molares, pois irrompem mais tarde.

q Dentes da região anterior da mandíbula não são afetados devido ao fluxo salivar e à posição da língua.

q A mamadeira é geralmente usada como um pacificador para fazer o bebê dormir.

q A cárie de mamadeira ocorre em todas as classes sociais, e freqüentemente reflete a dinâmica social da família. As crianças que têm dificuldades de dormir ou têm cólica usam a mamadeira como calmante. A mamadeira pode conter qualquer líquido com carboidrato fermentável , como o leite. Em geral, são usadas bebidas com vitamina C e sucos.

q Esse padrão de cárie pode também ocorrer em crianças que mamam no peito se esta se estender após 1 ano de idade.

6.3 Etiologia

· Longos períodos de exposição ao substrato cariogênico. O bico de mamadeira é colocado próximo às superfícies palatinas dos dentes anteriores superiores por mais de 8 horas.

· Diminuição do fluxo salivar à noite e da capacidade tampão da saliva.

A etiologia da “síndrome da mamadeira” é mais bem compreendida quando observa-se que três fatores primários predisponentes da doença estão reunidos e presentes num determinado momento da vida da criança, segundo MARTINS; MEDEIROS; CORREA; GUERRERA11, 1998):

Ø Tempo demasiado de permanência de líquidos fermentáveis na boca da criança – exposição prolongada;

Ø Líquidos fermentáveis (leite, sucos, etc.) oferecidos várias vezes ao dia, entre as refeições principais, incluindo durante a noite; e

Ø Ausência de higiene bucal adequada.

Também pode estar associada a hábitos introduzidos pela mãe em crianças com pouca idade, adoçando chupetas com mel, açúcar ou xaropes, e usando a mamadeira por tempo prolongado.

6.4 Evolução da cárie de mamadeira

Segundo MARTINS;MEDEIROS;CORREA;GUERRERA11,1998, crianças com cárie de mamadeira têm com frequência dieta não balanceada normalmente contendo grande quantidade de açúcar. Algumas pesquisas vêm mostrando que o uso contínuo da mamadeira por si só pode não causar cárie rampante, porém a adição de açúcar, mel ou cereais nesta, associado ao seu uso freqüente é responsável pela doença. Hábitos alimentares sadios devem ser introduzidos precocemente , pois em torno de 01 ano de idade, os hábitos dietéticos da criança , influenciados pela mãe, já estão estabelecidos.

Ao exame clínico da criança, se a situação ainda manifestar cáries incipientes, observaremos lesões de manchas brancas nas superfícies vestibulares dos incisivos superiores, próximo da margem gengival. Se o processo não for interrompido, as lesões evoluem para cavitação e os próximos dentes a serem atacados são os primeiros molares superiores e inferiores decíduos, de acordo com a seqüência de erupção. Deixando a doença progredir livremente, por fim as faces vestibulares dos caninos decíduos são cariadas e também as oclusais dos segundos molares decíduos. Nesta fase, provavelmente já foram destruídas as coroas dos dentes anteriores superiores decíduos.

A característica clínica marcante e patognomônica da cárie de mamadeira constitui-se a ausência de lesões nos incisivos inferiores decíduos.

O padrão de ataque possivelmente se dá em razão da própria cronologia de erupção dos dentes decíduos, em função da duração do hábito de sucção prejudicial e da própria fisiologia da sucção. No ato de mamar, o leite (ou outros líquidos) é jogado contra o palato pelos movimentos de sucção , e a língua estende-se sobre os incisivos inferiores decíduos. Consequentemente, o conteúdo da mamadeira é capaz de banhar todos os dentes, com exceção da região ântero-superior. Os incisivos inferiores têm a proteção da língua e das saídas de glândulas salivares, por isso resistem por mais tempo. Durante a noite, a estagnação de leite açucarado nas superfícies dentais tem efeito devastador, pois não há saliva para promover limpeza mecânica nem o efeito tampão MARTINS;MEDEIROS;CORREA;GUERRERA11,1998).

6.5 Leite materno como fator etiológico da cárie de mamadeira

O aleitamento natural deve ser sempre estimulado, os benefícios e as vantagens proporcionados ao bebê e à mãe por este tipo de alimentação natural são evidentes. O leite materno, tal como o bovino, apresenta como um dos seus constituintes a lactose, um dissacarídeo composto de glicose e galactose, porém em quantidade maior quando comparada ao leite bovino (MARTINS;MEDEIROS;CORREA;GUERRERA11,1998).

O uso freqüente de lactose ou leite aumenta a produção de ácidos na placa bacteriana. O leite é menos acidogênico ao ser comparado à solução de lactose pura, sacarose ou leite com sacarose. O problema é agravado quando não há realização de higiene bucal, quando da exposição ao leite materno em alta freqüência. A estagnação do leite durante à noite é muito prejudicial ao esmalte dental. O leite materno adquire maior potencial cariogênico que o leite bovino devido à sua maior concentração de lactose. Consequentemente, o potencial cariogênico pode variar de um indivíduo para o outro, dependendo da exposição da criança. Horários de alimentação deverão ser estabelecidos e estabelecer uma rotina para a higiene bucal.

6.6 Tratamento da cárie de mamadeira

O tratamento da cárie de mamadeira depende da extensão das lesões, da idade e do comportamento da criança, assim como da cooperação dos pais. Inicia-se o tratamento com a identificação dos fatores etiológicos. É constituído dos seguintes passos:

ü Eliminar hábito - o maior fator responsável é a mamadeira. É preciso eliminar este hábito de forma gradual. Isto pode ser feito diluindo-se o conteúdo da mamadeira com água e diminuindo-se a quantidade de açúcar (tornando-a menos saborosa), por um período de duas a três semanas, não ultrapassando 1 mês. A mamadeira noturna deve ser eliminada. O esforço dos pais em querer eliminar este hábito é fundamental.

ü Aplicação tópica de flúor - lesões de mancha branca sem perdas consideráveis na superfície do esmalte, o tratamento conservador é o de escolha. Remineralização dessas lesões por meio de limpeza em domicílio com escova de dentes apropriadas e dentifrícios fluoretados, além de aplicações tópicas de flúor.

ü Restauração dos dentes. Pode-se utilizar cimento de ionômero de vidro, coroas de resina e coroas de aço – eliminação das cavidades de cárie e dos focos de dor e infecção.

ü Se houver necessidade de exodontia dos dentes anteriores superiores, isto não resultará na perda de espaço se os caninos tiverem irrompido. A fala irá se desenvolver normalmente.

ü Orientação profissional – sobretudo um profissional como o odontopediatra deverá informar os pais quanto às orientações de higiene bucal da criança e às alterações necessárias da dieta. É de grande importância a conversa e a empatia mãe/profissional. A orientação para a utilização de outros recursos que não a mamadeira (carinho, afago, música, brincadeiras) nos momentos em que a mãe se utilizaria da mamadeira por hábito.

CONCLUSÃO

De acordo com a análise da literatura, podemos concluir:

1. O diagnóstico precoce é fundamental para o plano de tratamento e prevenção da cárie;

2. A dieta representa um dos mais importantes fatores etiológicos da cárie;

3. A exposição prolongada à substratos cariogênicos e diminuição do fluxo salivar no período noturno são fatores relevantes para o aparecimento da cárie de mamadeira;

4. A preferência na escolha dos alimentos não varia entre as classes sociais;

5. A prevenção é a maior aliada ao combate de lesões cariosas, como a da cárie de mamadeira, através de aconselhamentos dietéticos e aplicações tópicas de flúor.

ABSTRACT

The present work made a literature review and they describle on the dental carie. It highlights wel the “baby bottle”carie, manifestation of the carie rampante in children associated youths the habits of sleeping suckling liquid sugary baby in botte.. The content of the work approaches the subject concerning the influence of the influence of the rich in sugars and the disease decay, worrying of the prevention.

* Cirurgião-Dentista

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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