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sexta-feira, 14 de março de 2008

Odontologia _Mau hálito pode ser sintoma de boca seca _ Estomatologia

Mau hálito pode ser sintoma de boca seca


Toda pessoa produz em média 1,5 litro de saliva por dia. Esta quantidade é suficiente para proteger os dentes e manter a saúde da boca. No entanto, quando ocorrem alterações no fluxo da produção salivar, a sua função protetora diminui, ocasionando sintomas e problemas bucais. Esta alteração chama-se xerostomia, mais conhecida como boca seca, e é causada por fatores como uso de medicamentos e stress.

Segundo a dentista Dra. Ana Paula Falcão, pós-graduada pela Universidade de São Paulo, são vários os fatores que contribuem para a diminuição do fluxo salivar. “A causa mais comum da boca seca é a baixa ingestão de água, mas também podemos citar situações de stress e ansiedade, uso de medicamentos como antidepressivos e diuréticos. Diabetes, menopausa, idade avançada e doenças congênitas, nas quais a pessoa nasce sem a glândula salivar também ocasionam a boca seca. Além disso, tratamentos contra o câncer como a quimioterapia e radioterapia também podem afetar o fluxo salivar em até 90%”, explica a especialista.

Além da sensação de secura bucal, os principais sintomas da xerostomia são mau hálito, dificuldade para mastigar e deglutir, língua rachada ou avolumada, feridas na boca, paladar reduzido, pigarros e tosse seca. De acordo com a Dra Ana Paula, como conseqüência, podem aparecer cáries dentárias, candidíase, doenças gengivais, infecções nas glândulas salivares e mau hálito.

Isso acontece porque a saliva desempenha um papel essencial no combate às bactérias, além de possuir outras funções importantes. “A produção salivar ajuda a proteger os dentes e gengivas do ataque de microorganismos, principalmente bactérias e fungos. Age também como elemento lubrificante durante a mastigação e fonação (emissão da voz), além de auxiliar na formação do bolo alimentar e iniciar o processo digestivo”, afirma o Dr Leonardo Marchini, cirurgião-dentista formado pela FOSJC-UNESP.

Para problemas como este, a indústria farmacêutica desenvolveu a saliva artificial, um produto que ajuda a aliviar sintomas da secura bucal. De ação lubrificante, o produto é composto por todos os sais minerais presentes na saliva humana. No Brasil já existe uma versão fabricada pelo laboratório Apsen, o Salivan®, feito de carmelose sódica, uma substancia que contém as mesmas propriedades da saliva. O produto é vendido somente sob prescrição médica, e seu preço gira em torno de 18 reais a unidade. É bem mais acessível à população, se comparado aos importados, que custam em média 60 reais.

Além de serem vendidos como produtos industrializados, os estimuladores de saliva também podem ser confeccionados em farmácias de manipulação, sempre com a fórmula indicada pelos dentistas. A saliva artificial é vendida em forma de spray e pode ser borrifada na boca várias vezes ao dia, proporcionando assim alívio instantâneo dos sintomas da xerostomia.

Apesar dos benefícios proporcionados pela saliva artificial, como o alívio imediato, de acordo com o Dr Leonardo, o produto não trata a raiz do problema, que são as causas da xerostomia, mas apenas auxilia na diminuição de seus efeitos. “Sempre que for possível, a causa deve ser tratada. Por exemplo, se for viável substituir o medicamento por outro, com efeito-colateral menor, este procedimento deve ser feito em comum acordo com o médico, ao invés de apenas utilizar o substituto salivar.”, explica o dentista.

Para a Dra Ana Paula, quando a causa do problema não pode ser eliminada, como acontece em doenças como a Síndrome de Sjögren, lança-se mão deste e de outros paliativos. “Orientamos o paciente para que evite alimentos condimentados, ingira água com freqüência e não consuma bebidas alcoólicas, carbonadas ou com cafeína. Lubrificar os lábios com produtos à base de vaselina também ajuda”, afirma a dentista.


ABN - Agencia Brasileira de Notícias

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