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quarta-feira, 14 de maio de 2008

Odontologia:SEDAÇÃO CONSCIENTE COM BENZODIAZEPÍNICOS EM ODONTOLOGIA _ Farmacologia

Revista de Odontologia da Universidade Cidade de São Paulo
2006 maio-ago; 18(2)181-8
181
SEDAÇÃO CONSCIENTE COM BENZODIAZEPÍNICOS EM ODONTOLOGIA
CONSCIOUS SEDATION WITH BENZODIAZEPINES IN DENTISTRY

Karina Cogo *
Cristiane de Cássia Bergamaschi *
Regiane Yatsuda **
Maria Cristina Volpato ***
Eduardo Dias de Andrade ****

RESUMO:
A ansiedade e o medo são fatores de fuga ao tratamento odontológico. O controle da ansiedade pode ser
obtido por meios farmacológicos e não- farmacológicos. Dentre os não-farmacológicos, o uso de benzodiazepínicos,
por via oral, constitui uma boa alternativa para se obter a sedação consciente, em Odontologia,
por apresentar uma ampla margem de segurança clínica, rápido início de ação, pequena incidência de
reações adversas, facilidade de administração e baixo custo. Assim, esta revisão tem por objetivo investigar
as características farmacológicas, critérios de escolha e regimes posológicos dos benzodiazepínicos
de maior interesse para o cirurgião-dentista. O diazepam, lorazepam, alprazolam, midazolam e triazolam
são as drogas mais empregadas na sedação de pacientes odontológicos. O lorazepam é mais indicado para
idosos, pela menor incidência de efeitos paradoxais. Quando se deseja uma sedação mais prolongada, o
diazepam é a droga de escolha. Ao contrário, por apresentar início de ação mais rápido e duração mais
curta, além de induzir amnésia anterógrada, o midazolam é a droga mais indicada nas urgências odontológicas
e na sedação consciente de pacientes pediátricos.

DESCRITORES: Sedação consciente - Ansiedade ao tratamento odontológico

ABSTRACT
Fear and anxiety are factors of avoidance of dental treatment. The anxiety control can be obtained by
pharmacologic and non-pharmacologic methods. Among the pharmacologic methods, oral benzodiazepines
is a good choice to obtain conscious sedation in dentistry, as they present a wide therapeutic index,
fast onset, little incidence of adverse reactions and low cost. The aim of this review was to assess benzodiazepines
used in dentistry as to their pharmacologic characteristics, regimens and choice criteria. The
most used benzodiazepines in oral conscious sedation are diazepam, lorazepam, alprazolam, midazolam
and triazolam. Lorazepam is the preferable drug in the elderly due to its lower tendency to cause paradoxal
effects. When prolonged sedation is desired, diazepam is the drug of choice. On the contrary, by presenting
fast onset and short duration of action, midazolam is the most indicated benzodiazepine for dental
emergencies and oral conscious sedation in pediatric patients.

DESCRIPTORS: Conscious sedation - Dental Anxiety

* Mestrandas do Programa de Pós-Graduação em Odontologia - Área de Farmacologia, Anestesiologia e Terapêutica, da Faculdade de Odontologia de
Piracicaba, Unicamp.
** Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Odontologia - Área de Farmacologia, Anestesiologia e Terapêutica, da Faculdade de Odontologia de
Piracicaba, Unicamp.
*** Professora Associada da Área de Farmacologia, Anestesiologia e Terapêutica, da Faculdade de Odontologia de Piracicaba, Unicamp.
**** Professor Titular da Área de Farmacologia, Anestesiologia e Terapêutica, da Faculdade de Odontologia de Piracicaba, Unicamp.
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Cogo K, Bergamaschi CC, Yatsuda R, Volpato MC, Andrade ED. Sedação consciente com benzodiazepínicos em odontologia
Revista de Odontologia da Universidade Cidade de São Paulo. 2006 maio-ago; 18(2)181-8

INTRODUÇÃO:
A ansiedade e o medo ao tratamento odontológico
ainda persistem em boa parte da população, sendo gerados
por fatores como os sons e vibrações dos instrumentos
rotatórios, movimentos bruscos do profissional,
relatos de parentes ou amigos que tiveram experiências
negativas em consultas anteriores, sem falar da anestesia
local, relatada como o procedimento mais estressor no
consultório odontológico (Aeschliman et al1., 2003).
A sedação consciente se constitui num método efetivo
de controle da ansiedade, por produzir depressão
mínima do nível de consciência do paciente, não afetando
sua capacidade de respirar de forma automática
e independente e de responder à estimulação física e ao
comando verbal (Haas,191999).
A sedação consciente pode ser obtida por meios
farmacológicos e não-farmacológicos. O uso de fármacos
para essa finalidade deve ser considerado pelo clínico
quando a iatrosedação (tranqüilização verbal) não
for suficiente o bastante para condicionar o paciente.
Entretanto, procedimentos mais invasivos ou de longa
duração, como traumatismos dentais e cirurgias de
implantes, podem requerer o uso de sedação por meios
farmacológicos, mesmo no caso de pacientes tranqüilos
e cooperativos (Nathan,271995).
Em Odontologia, é crescente o número de profissionais
que utilizam métodos farmacológicos de sedação
consciente, com a intenção de propiciar um ambiente
que facilite a relação paciente-profissional, permitindo a
este conduzir o tratamento de forma tranqüila e evitar a
mínima interrupção (Folayan et al.,132002).
Dos métodos farmacológicos de sedação consciente
em odontologia, os mais comuns são os que utilizam os
benzodiazepínicos por via oral e, mais recentemente no
Brasil, o uso da técnica de sedação consciente inalatória,
pela mistura de óxido nitroso (N2O) e oxigênio (O2).
Esta última apresenta algumas vantagens com relação ao
uso dos benzodiazepínicos, por proporcionar um rápido
início de ação e pela dosagem ser obtida de forma incremental.
Por outro lado, a habilitação para o emprego
dessa técnica e a aquisição do equipamento e acessórios
exigem um investimento considerável por parte do profissional.
Os benzodiazepínicos estão entre as drogas mais
largamente prescritas e empregadas em todo o mundo,
constituindo a principal modalidade terapêutica para o
tratamento de desordens relacionadas à ansiedade.
A identificação de sítios de ligação específicos para
os benzodiazepínicos em estruturas do sistema nervoso
central (SNC), como o sistema límbico, possibilitou a
compreensão do seu mecanismo de ação. Foi demonstrado
que essas drogas, ao se ligarem aos receptores, facilitam
a ação do ácido gama-amino butírico (GABA),
o neurotransmissor inibitório primário do SNC. A ativação
do receptor GABA induz a abertura dos canais de
cloreto (Cl-)
da membrana dos neurônios, aumentando
o influxo desse ânion para dentro das células, o que resulta,
em última análise, na diminuição da propagação
de impulsos excitatórios (Loeffler,241992; Rang et al.,34
2003).
A ação dos benzodiazepínicos é praticamente limitada
ao SNC, embora mínimos efeitos cardiovasculares sejam
observados, como uma discreta diminuição da pressão
arterial e do esforço cardíaco. No sistema respiratório,
podem diminuir o volume de ar corrente e a freqüência
respiratória, justificando a recomendação de serem
empregados com precaução em pacientes portadores de
enfermidade broncopulmonar obstrutiva ou com insuficiência
respiratória (Salazar 36, 1999).
Os benzodiazepínicos apresentam baixa incidência
de efeitos adversos e toxicidade, particularmente em tratamentos
de curta duração, como é o caso do uso em
odontologia. Entretanto, uma pequena porcentagem
dos pacientes (principalmente crianças e idosos) pode
apresentar o chamado “efeito paradoxal”, caracterizado
por excitação, agressividade e irritabilidade, mesmo em
baixas doses (Oreland,311988).
Tabela 1: Início de ação e tempo de meia-vida plasmática
dos benzodiazepínicos mais comumente empregados
na clínica odontológica.
Nome genérico Início de ação
(min)
Meia-vida plasmática
(h)
Diazepam 45 - 60 20 - 50
Lorazepam 60 - 120 12 - 20
Alprazolam 60 - 90 12 - 15
Midazolam 30 - 60 1 - 3
Triazolam 30 - 60 1,7- 5
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Os benzodiazepínicos podem ser classificados de
acordo com o tempo de duração de sua ação ansiolítica
ou sedativa. A Tabela 1 traz alguns dos parâmetros
farmacocinéticos dos benzodiazepínicos mais utilizados
em odontologia, que são determinantes para a escolha
da droga.
A seguir, são apresentadas algumas das características
individuais dessas drogas. Ao final, são discutidos os
critérios de escolha e dosagens para a sedação consciente
por via oral em crianças, adultos e idosos.
Diazepam
O diazepam foi introduzido no mercado farmacêutico
em 1963 e é considerado o fármaco-padrão do grupo,
sendo ainda o ansiolítico mais empregado em procedimentos
ambulatoriais.
Uma vez absorvido, o diazepam é rapidamente distribuído
para os tecidos de alta perfusão, como o encéfalo e
em seguida a tecidos menos perfundidos, como o tecido
adiposo, o qual funciona como local de depósito, a partir
do qual o diazepam volta novamente à circulação.
A meia-vida de eliminação (tempo necessário para
conversão da droga em metabólitos inativos) do diazepam
situa-se entre 24 e 72 horas, pois sua metabolização
pelo fígado forma dois compostos ativos, o desmetildiazepam
e o oxazepam. Por essa razão, o diazepam é considerado
um agente de longa duração de ação, contrastando
com outras drogas do grupo. Apesar dos efeitos
clínicos desaparecerem em 2 a 3 horas, a sonolência e o
prejuízo na função psicomotora podem persistir devido
à produção desses metabólitos ativos (Loeffler24, 1992).
A dosagem usual para adultos varia de 5 a 10mg,
geralmente administrada uma hora antes do início do
procedimento. Para pacientes extremamente ansiosos,
recomenda-se empregar também uma dose na noite anterior
à consulta, com a finalidade de assegurar um sono
tranqüilo (Haas,191999). Para crianças, são sugeridas dosagens
que variam de 0,2 a 0,5mg/Kg de peso corporal.
Yanase et al.47 (1996) concluíram que o diazepam por
via oral, na dosagem de 0,3mg/Kg, administrado pelos
pais em ambiente domiciliar 1 hora antes da consulta
odontológica, é um regime eficaz e seguro de sedação de
crianças com medo ao tratamento dentário.
Assim como outros benzodiazepínicos, o diazepam
pode produzir o chamado efeito paradoxal (excitação ao
invés da sedação esperada) numa pequena porcentagem
dos casos, particularmente em crianças e idosos.
Lorazepam
O lorazepam tem sido empregado como pré-medicação
anestésica, nas dosagens que variam de 2 a 3mg em
adultos e de 0,5 a 2mg em idosos, não sendo recomendado
para uso em crianças com idade abaixo dos 12 anos.
Seu início de ação se dá em torno de 1 a 2 horas.
Difere do diazepam por não produzir metabólitos ativos,
sendo que o término de seus efeitos é observado após 6 a
8 horas (Goodchild et al.,17 2003). Por esta razão e pelo
fato de dificilmente produzir efeitos paradoxais, o lorazepam
é considerado por alguns autores como o agente
ideal para a sedação consciente de pacientes idosos (Matear
e Clarke,261999).
Além do efeito sedativo, a administração de lorazepam
2 mg também pode induzir à amnésia anterógrada,
definida como o esquecimento dos fatos a partir de um
evento tomado como referência (Blin et al.,5 2001). Este
efeito é considerado como benéfico para muitos profissionais
da odontologia, mas indesejado por outros, sob
o argumento de que o paciente pode ter dificuldades em
lembrar-se dos cuidados pós-operatórios no caso de um
procedimento cirúrgico mais invasivo.
Alprazolam
O alprazolam é um derivado benzodiazepínico comumente
empregado no tratamento da ansiedade generalizada
e na síndrome do pânico (Pecknold et al.,321988).
Suas maiores concentrações plasmáticas são obtidas
1 a 2 horas após sua administração, com uma duração
de ação de 12 a 15 horas. No tratamento da ansiedade, é
empregado nas dosagens de 0,5 a 0,75mg, em adultos, e
de 0,25 a 0,5mg em idosos (Matear e Clarke,261999).
A sedação consciente de pacientes odontológicos por
meio do alprazolam ainda não foi suficientemente testada,
sendo que o pequeno número de ensaios clínicos
encontrados na literatura apresenta resultados até certo
ponto conflitantes.
Coldwell et al.6 (1997), delinearam um estudo para
identificar a dose ideal de alprazolam, que reduzisse a ansiedade
associada à cirurgia oral sem causar amnésia anterógrada.
Concluíram, porém, que as doses necessárias
de alprazolam para produzir diminuição da ansiedade
clinicamente significante durante cirurgias orais (0,5mg
e 0,75mg), também acarretavam este tipo de amnésia.
Este achado, entretanto, não foi confirmado por
Quintana-Gomes Jr.33 (2002), que observou redução da
ansiedade, mas sem amnésia anterógrada, em 72,4% dos
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pacientes que receberam 0,5mg de alprazolam 1 hora antes
de se submeterem a cirurgia de implante dental.
Num trabalho ainda mais recente, onde foi investigada
a eficácia do alprazolam em pacientes com moderado
a alto grau de ansiedade antecipatória à cirurgia oral,
foi demonstrado que este benzodiazepínico promove
um bom controle da ansiedade após 90 minutos de sua
administração, sem diferença estatisticamente significativa
entre as dosagens de 0,25mg e 1mg (Wolf et al.46,
2003).
Um achado interessante com relação à sedação de
pacientes com desordens cardiovasculares, é o de que o
alprazolam 0,5 ou 1mg, se comparado a um placebo ou
lorazepam 2mg, reduz significantemente as concentrações
plasmáticas de epinefrina, por suprimir a atividade
das glândulas supra-renais (Van den Berg et al.43, 1996),
o que pode ser considerado como uma vantagem em relação
a outros benzodiazepínicos.
Midazolam
O midazolam foi sintetizado em 1975 e inicialmente
empregado como hipnótico (indução do sono fisiológico).
Passou a ser usado na sedação pré-cirúrgica ou
previamente a procedimentos diagnósticos curtos, como
a broncoscopia, gastroscopia, cateterismo cardíaco, etc.,
como também na indução de anestesia geral (Loeffler,24
1992).
Quando administrado por via oral, o midazolam é
rapidamente absorvido, atingindo sua concentração máxima
após 30 minutos, com uma duração de efeito de
aproximadamente 2 a 4 horas (Dionne,7 1998; Hartgraves
e Primosch,20 1994).
As doses empregadas na sedação pré-operatória em
Odontologia variam de 7,5 a 15mg em adultos (O’Boyle
et al.,28 1987) e de 0,2 a 0,6mg/kg em crianças (Erlandsson
et al.,12 2001; Singh et al.,40 2002; Shapira et al.,38
2004).
Gallardo et al.15 (1994), num estudo duplo-cego com
uso de placebo, em 32 crianças não cooperativas, demonstraram
que uma dose de 7,5mg de midazolam, administrada
por via oral, promoveu um nível de sedação
adequada 30 minutos após sua administração.
Em outro estudo, 100 crianças com idade entre 1,5
e 6 anos foram sedadas com midazolam por via oral (0,5
mg/kg) ou via intranasal, na dose de 0,2mg/kg, obtendose
um nível satisfatório de sedação em aproximadamente
75% dos casos, independente da via de administração
(Hartgraves e Primosch, 20 1994).
Na opinião de Krafft et al.22 (1983), a aplicação do
midazolam por via retal, em pacientes pediátricos, é
superior à administração por via oral. Ao contrário,
Aydintug et al.3 (2004) demonstraram que a sedação
com midazolam é similar por ambas as vias de administração,
e que a via oral tem maior aceitação por parte dos
pacientes pediátricos.
Da mesma forma que nos adultos, o midazolam administrado
por via oral, na dosagem de 0,5mg/kg de
peso corporal, 10 minutos antes do procedimento cirúrgico,
também produz significante amnésia anterógrada
em crianças, ou seja, o esquecimento dos fatos durante o
pico de ação da droga (Kain et al.,21 2000).
Triazolam
O triazolam é um benzodiazepínico de curta duração,
comparável ao lorazepam como medicação préanestésica,
mas com início de ação mais rápido (30 a 60
minutos) e menor tempo de recuperação, em torno de 2
a 4 horas (Berthold et al., 4 1993; Dionne et al., 8 2002;
Goodchild et al., 17 2003).
Em procedimentos odontológicos ambulatoriais, foi
demonstrado que a administração via oral de 0,25mg de
triazolam promove melhor efeito ansiolítico, indução de
amnésia anterógrada e menor tempo de recuperação das
funções cognitivas e psicomotoras, quando comparado
ao diazepam 5mg, por via oral (Ehrich et al.,11 1997).
Em pacientes submetidos a cirurgias de implantes
dentais, Flanagan14 (2004) recomenda a sedação com o
triazolam nas dosagens de 0,125 ou 0,25mg, por via oral
ou sublingual. Nos idosos, a dosagem recomendada varia
de 0,0625 a 0,125mg, sendo mais empregada esta última
(Berthold et al.,4 1993; Matear e Clarke,26 1999).
Os efeitos colaterais mais comumente associados ao
uso de triazolam são sonolência, vertigem, tonturas e
incoordenação motora. Euforia, taquicardia, confusão
mental, prejuízo na memória, depressão e distúrbios visuais
foram reportados em menos de 1% dos pacientes
(Berthold et al., 4 1993).
A segurança clínica do triazolam foi questionada por
relatos de distúrbios mentais ocasionados com o uso desse
fármaco (Schneider e Perry, 37 1990). Após revisão dos
casos (muitos sem mencionar o tempo ou a dose utilizada
e interação com outros medicamentos) a US Federal
Drug Administration passou a considerar esse fármaco
como seguro e efetivo nas doses entre 0,125mg e 0,25mg
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(Wysowski e Barash, 45 1991).

Discussão:
A sedação é caracterizada como uma redução do
nível de atividade e excitabilidade do paciente, sendo
classificada pela American Society of Anesthesiologists-
ASA2 (2002) em mínima, moderada e profunda.
Nas duas primeiras o paciente responde a comando
verbal e estimulação tátil leve, tendo as funções respiratória
e cardiovascular normalmente mantidas. Na
sedação profunda o paciente não responde facilmente
a comando verbal, mas responde a estímulos dolorosos.
A função cardiovascular normalmente é mantida,
mas a função respiratória espontânea apresenta-se alterada,
com necessidade de assistência.
Segundo Loeffler 24 (1992), o ansiolítico ideal deveria
ser prontamente absorvido, apresentar rápido
início de ação e alto índice terapêutico e proporcionar
pronta recuperação, sem causar prejuízos psicomotores.
Nem sempre uma mesma droga consegue reunir
todos os atributos desejáveis.
Os benzodiazepínicos apresentam várias vantagens
em relação a outras drogas usadas como ansiolíticos.
Dentre essas vantagens estão a capacidade de diminuir
a ansiedade sem produzir sedação profunda ou inconsciência
e a larga margem de segurança clínica, quando
comparados aos barbitúricos, por exemplo.
Embora não existam protocolos definitivos para a
escolha de um benzodiazepínico para sedação oral em
Odontologia, especialmente pela diversidade de metodologias
empregadas nos estudos, alguns critérios devem
ser considerados, como idade do paciente, tipo de
benzodiazepínico utilizado e possibilidade de interações
com outros medicamentos. A Tabela 2 traz as dosagens
usuais de benzodiazepínicos, empregadas para a sedação
consciente em Odontologia, por via oral.
Levando em consideração a duração dos procedimentos
odontológicos, que em geral não ultrapassam
1 hora, o midazolam seria um dos fármacos de escolha
pelo seu rápido início de ação e menor tempo de meiavida,
quando comparado ao diazepam. O alprazolam,
por apresentar rápido início de ação e duração de ação
intermediária entre o midazolam e o diazepam, também
poderia ser uma boa alternativa.
Com relação ao fator idade, apenas dois benzodiazepínicos
são atualmente recomendados para uso em
odontopediatria, o diazepam e o midazolam, ambos com
vantagens sobre outros agentes sedativos como a prometazina,
hidroxizina e hidrato de cloral (Ong et al.,29
1996; Reeves et al.,35 1996; Shapira et al.,39 1996).
Pelo seu rápido início de ação e menor tempo de
meia-vida plasmática, o midazolam tem sido o fármaco
de escolha para procedimentos odontológicos pediátricos
de curta duração (Smith et al.,41 1998; Erlandsson
et al.,12 2001).
Em idosos, que apresentam diminuição de metabolização
e excreção, além de substituição de massa muscular
por gordura, com conseqüente armazenamento de
drogas lipossolúveis como os benzodiazepínicos, o triazolam
seria a medicação ideal para procedimentos odontológicos
curtos, por apresentar um rápido início de ação
e menor tempo de meia-vida plasmática que o diazepam
(Matear e Clarke,26 1999). Infelizmente, porém, o triazolam
ainda não é comercializado no Brasil. Assim, a
droga de escolha para pacientes geriátricos deve recair no
lorazepam, que apresenta meia-vida intermediária entre
o triazolam e o diazepam. O tempo de início de efeito,
entretanto, é longo – em torno de 1 a 2 horas.
Deve-se observar também que muitas vezes o idoso já
faz uso de forma crônica dessa classe de medicamentos,
sendo aconselhável tentar coincidir o horário de atendimento
com o pico plasmático da droga, ou ainda conversar
com o médico do paciente sobre a conveniência
de administrar uma nova dose.
Outro fator a ser considerado é a capacidade de induzir
amnésica anterógrada. Embora todos os benzo-
Tabela 2: Benzodiazepínicos: dosagens usuais empregadas para a sedação consciente em Odontologia, por via oral.
Nome
genérico
Droga
original
Dosagem
em adultos
Dosagem
em idosos
Dosagem
em crianças
Diazepam Valium 5 a 10 mg 5 mg 0,2 a 0,5 mg/Kg
Lorazepam Lorax 1 a 2 mg 1 mg Não é recomendado
Alprazolam Frontal 0,25 a 0,75 mg 0,25 mg Não é recomendado
Midazolam Dormonid 7,5 a 15 mg 7,5 mg 0,3 a 0,5 mg/kg
Triazolam Halcion 0,125 a 0,25 mg 0,06 a 0,125 mg Não é recomendado
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diazepínicos sejam potencialmente capazes de induzir
esse efeito, o mesmo depende da via de administração,
da dose, e do tempo pós-administração da droga (Greenblatt,
18 1992). Já foi demonstrado que o alprazolam
(Coldwell,6 1997) e o midazolam (Kain et al.,21 2000)
podem provocar esse efeito quando administrados pela
via oral.
Deve-se ficar atento para a possibilidade de interação
dos benzodiazepínicos com outros medicamentos, o que
pode causar diminuição do efeito do ansiolítico quando
este é administrado juntamente com indutores da metabolização,
como a carbamazepina, fenitoína e fenobarbital,
ou aumento do efeito quando a administração é
feita com inibidores do citocromo P450, como alguns
antimicrobianos, bloqueadores de canais de cálcio e antifúngicos
(Oga e Basile,30 1994).
Em relação à ocorrência de alucinações, aqui incluídas
alucinações visuais e fantasias sexuais, vários relatos
na literatura mostram esse tipo de efeito, sendo mais comum
quando é empregada a via intravenosa. Assim, há
relatos de alucinações com uso do triazolam (Goodchild
e Donaldson,16 2005), midazolam (Dundee,10 1990;
Doyle e Perrin,9 1994), diazepam (Litchfield,23 1980;
Dundee10, 1990) e lorazepam (Van den Berg,42 1986;
Van den Berg,44 1996). É recomendável, portanto, que o
paciente sedado seja sempre atendido com a presença de
uma terceira pessoa, a auxiliar odontológica, ou na falta
desta, do acompanhante do paciente.
Reações paradoxais aos benzodiazepinicos, caracterizadas
por excitação e movimentação excessiva, são relativamente
incomuns e ocorrem em menos de 1% dos
pacientes (Mancuso et al.,25 2004).
Devido aos efeitos depressores sobre o sistema
nervoso central, como a diminuição da capacidade
psicomotora, poder permanecer por tempo superior
ao do tratamento odontológico, especialmente com o
uso de benzodiazepínicos com longa meia-vida, é importante
que o paciente seja orientado a repousar por,
pelo menos, 6 horas após o tratamento, a não realizar
tarefas delicadas e a não conduzir veículos automotores
no dia do tratamento (Dundee,10 1990; Loeffler,24
1992). Deve-se ainda recomendar que o paciente não
faça uso de outros depressores, como o álcool. Para
maior segurança e certeza de que as recomendações
serão seguidas, é necessário que essas informações sejam
passadas ao paciente por escrito.
Além dessas precauções, as possíveis contra-indicações
ao uso de benzodiazepínicos, como distúrbios
metabólicos, alcoolismo, miastenia gravis, síndrome
de apnéia do sono, insuficiência respiratória grave,
insuficiência hepática grave, gravidez e lactação, também
devem ser consideradas, e se necessário fazer
contato com o médico do paciente para a busca de alternativas
para a sedação.
A observância desses cuidados, no uso da sedação
oral com benzodiazepínicos, permite ao dentista conduzir
o tratamento de forma mais confortável e segura
ao paciente.

Conclusão:
Com base nesta revisão, pode-se concluir que:
• O diazepam é indicado quando se deseja uma sedação
pós-operatória mais prolongada.
• O midazolam é a droga de escolha para a sedação
de pacientes adultos e pediátricos, na maioria dos procedimentos
odontológicos, principalmente em casos
de urgência, por possuir rápido início de ação e induzir
amnésia anterógrada:
• Na sedação consciente de pacientes idosos, apesar
do maior tempo de latência (início de ação), deve-se
dar preferência ao lorazepam, por proporcionar uma
menor incidência de efeitos paradoxais.
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Recebido em: 11/07/2005
Aceito em: 4/04/2006

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